Jaime Raposo

imagem do trabalho

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MAS CARA VAGGIO

Entenda-se, à partida, a quádrupla significação que  a denominação deste conjunto de trabahos potencia: (1) MAS CARA VAGGIO enquanto mais Caravaggio, numa lógica de apropriação; (2) MAS CARA VAGGIO enquanto obra mais cara de Caravaggio – acepção mercantilista e auto-legitimação do artista;  (3) MAS CARA VAGGIO, que aglutina máscara Caravaggio, em referência à questão da verdade na pintura; (4) MAS CARA VAGGIO, em que o mas indicia a dúvida enquanto charneira entre o pensamento tradicional da pintura com o pensamento contemporâneo.
Com base nestes eixos, reflcetindo na pintura tradicional enquanto suporte de imagem, e na sua adequação ou legitimidade num contexto em que a imagem passa por todos os meios menos pela tela (suporte esse que parece cada vez mais confinado num fascínio retro), tornou-se claro que a pintura não pode fazer mais senão copiar-se a ela mesma – copiar-lhe os únicos momentos em que foi necessária (Mais Caravaggio). Se existe o dever de continuar a provar a arte através da tela, numa mesma altura em que o engenho já não se prova necessariamente pela carroça de cavalos, então , num esforço de humildade, consubstanciemo-nos nesse fascínio retro, nessa nostalgia dum tempo distante em que a pintura foi realmente importante – aqui o paradigma é Caravaggio (Máscara Caravaggio – só mascarados em eruditismo  é que continuaremos a ser artistas – o autor da obra não só é a máscara de Caravaggio, como também é o próprio Caravaggio, mas melhor que ele, logo, mais caro).
Surge então o problema o problema da pintura enquanto prática. Caravaggio tinha já a consciência do ócio e a alegria ambígua da mundanidade e do hedonismo, mas ainda assim um atelier no século XVI  não recebia tantas propostas tentadoras à porta, como recebe o atelier do século XXI. Mas o factor fundamental prende-se com as exigências de produção contemporâneas ( um  chicote maior para os cavalos?) – daí a simulação de uma «linha de montagem» para Caravaggio, cujo processo em stencil  realiza a obra em tempo adequado, numa resposta cínica à problemática da massificação da imagem.
MAS CARA VAGGIO é ruído pop de rememoração delicodoce.

Jaime Raposo

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