Só um único referente é aceite – o corpo. O corpo de uma mulher. O corpo da própria mulher. É através de metáforas e simbolos que nos é apresentado temas como: a cerimónia do amor ou o ritual da concepção; o espaço interior e recôndito de todas as transformações; a infertilidade ou a fecundação; o aborto ou o desejo de uma gravidez forçada; a morte da mulher ou o regresso à origem; o sagrado e a mulher. Estes mesmos temas, são encarados como caminhos que levam à reflexão do observador, sobre uma dimensão que ao mesmo tempo atraí como distancia.
No início o corpo era uma semente. Aquela mesma que desponta a sua raiz ao seio da terra onde esta a abriga. Aquela que um dia germinará e crescerá. Mas primeiro que tudo: o ritual. Lugar em que a semente se tornará vísivel. O ritual onde a semente fecundará a terra. E depois, sim, surgirá. Surgirá no despontar da luz. Vinda desse lugar recôndito, acolhedor e protector que a abrigou. Depois do ciclo: o retorno. Regressará à terra-mãe, à sua origem: Prostrando-se no chão, Job escreve: Saí nu do ventre da minha mãe e nu voltarei a ele. (dicionário simbolos)
Retorno é o ventre de minha mãe. É um lugar sagrado. O ventre sagrado.
Carla Patrícia O. Azevedo, nasceu em 1980 na cidade de Lisboa. Cedo se interessou pelo mundo das artes plásticas, iniciando a sua licenciatura em Pintura em 1999 e terminando-a em 2006. Expõe pintura e fotografia desde 1998. Recentemente, participou na II Bienal de Artes de Coruche(2005) e realizou exposições individuais de fotografia (2005).
No seu trabalho habita um ser: o Feminino. Neste momento é o corpo que lhe interessa. Não o corpo como forma, mas como matéria. Temas como a fertilidade ou a fecundação são abordados mas não de uma forma explícita a quem os observa.